Uma pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) alerta para a demora no diagnóstico da doença no Brasil. O levantamento, realizado pela HSR Health em parceria com a Roche Farma, ouviu 368 pacientes e revelou que 26,6% levaram mais de cinco anos para receber o diagnóstico definitivo, enquanto 14,1% esperaram dez anos ou mais.
Mais da metade dos entrevistados (56,8%) recebeu algum diagnóstico incorreto antes da confirmação da esclerose múltipla. Segundo especialistas, a demora pode favorecer a progressão da doença e provocar danos neurológicos e incapacidades permanentes.
Cerca de 40 mil brasileiros convivem com esclerose múltipla, doença crônica, inflamatória e autoimune que atinge principalmente mulheres entre 20 e 40 anos. Sintomas como visão embaçada, fadiga, dormência, formigamento e dificuldades de mobilidade podem ser confundidos com outras condições, dificultando a identificação precoce.
Embora não tenha cura, os tratamentos disponíveis atualmente conseguem controlar a progressão da doença em muitos casos. Na pesquisa, 48% dos pacientes disseram estar estáveis ou em remissão. Entretanto, 41,2% relataram interrupções ou adiamentos no tratamento devido a dificuldades de acesso, burocracia dos planos de saúde ou falta de medicamentos.
A doença também causa impactos sociais, emocionais e profissionais: 72,8% relataram prejuízos na renda ou nas oportunidades de crescimento profissional, e 85,6% afirmaram ter despesas mensais extras relacionadas à condição.
Os sintomas da esclerose múltipla (EM) podem variar bastante e aparecer em episódios (surtos) ou evoluir gradualmente. Entre os mais comuns estão:
- Alterações na visão: visão embaçada, visão dupla, perda parcial da visão ou dor ao movimentar os olhos.
- Formigamento e dormência: principalmente nos braços, pernas ou rosto.
- Fraqueza muscular: perda de força em uma ou mais partes do corpo.
- Problemas de equilíbrio e coordenação: tontura, instabilidade para caminhar e quedas.
- Fadiga intensa: cansaço desproporcional às atividades realizadas.
- Rigidez e espasmos musculares.
- Alterações urinárias e intestinais: urgência ou dificuldade para urinar e constipação.
- Problemas cognitivos: dificuldade de concentração, memória e processamento de informações.
- Alterações na fala ou deglutição, em alguns casos.
- Dor, incluindo sensações de choque, queimação ou dores musculares.
Um sintoma relativamente característico é a piora temporária de sintomas neurológicos com o calor, conhecida como fenômeno de Uhthoff.
Fonte: Agência Brasil/Portal do Careiro

