Candidatíssimo ao Governo do Distrito Federal pelo PT, o ex-deputado distrital Leandro Grass detalhou a operação da Polícia Federal que mira o senador Ciro Nogueira, ao escancarar, mais uma vez, como, segundo ele, funciona a engrenagem do sistema.
No caso de Ciro, afirma Grass, o que houve “foi banqueiro escrevendo projeto de lei e senador protocolando exatamente como mandaram, recebendo R$ 300 mil por mês”.
O texto elaborado por um auxiliar e encaminhado a Ciro Nogueira consistia em uma emenda apresentada por ele à PEC que garante autonomia financeira do Banco Central.
A declaração de Grass foi repercutida na tribuna da Câmara dos Deputados pela também petista Natália Bonavides.
Curiosamente, nenhum dos dois avançou na narrativa para explicar o desfecho da proposta — que, na verdade, não era exatamente um projeto, mas uma emenda parlamentar.
O texto assinado por Ciro Nogueira foi rejeitado de forma sumária pelo relator da PEC do Banco Central, o senador Plínio Valério.
Foi Plínio Valério quem identificou a manobra. O senador amazonense rejeitou a emenda logo após a leitura, “por se tratar de norma alheia ao objetivo da proposta”, expressão que, no jargão parlamentar, caracteriza um “jabuti” — dispositivo inserido em um projeto sem relação direta com o tema principal.
Fica a pergunta: por que Grass e Natália, tão rápidos em denunciar quem apresentou o “jabuti”, não mencionam que a proposta foi barrada?
Acerta em cheio quem observa que Plínio Valério, o senador que evitou um possível rombo de R$ 20 bilhões em favor de Ciro Nogueira e André Esteves Vorcaro, mantém postura independente em relação ao Planalto. Por isso, segundo críticos, acaba sendo ignorado por setores governistas.

